CHARLES CHAIM – DE PRATA PARA PARIS, DE UBERLÂNDIA PARA NOVA YORK

O artista do interior do Triângulo Mineiro tem em sua bagagem exposições em Brasília, São Paulo, Paris e Nova York, além do Prêmio Conteúdo da Revista Gloss como melhor artista em 2010. Em sua história há toques de jornalismo, teatro e pop art.

Fotografia: Rogério Cunha

Logo aos 16 anos, os 75 quilômetros entre Prata e Uberlândia foram derrubados por Charles Chaim. O então jovem mudou-se para a cidade dos negócios para fazer jornalismo. Trabalhou como repórter e editor de vídeo em veículos de comunicação da região e, apaixonado pela segunda arte desde cedo, convidou alguns amigos para montar a primeira peça de Nelson Rodrigues, “A mulher sem pecado”. Mesmo com as dificuldades à espreita, o espetáculo foi apresentado. Como o próprio artista destaca, “fazer teatro no Brasil nunca foi fácil, no interior e na década de 90 era quase impossível, por falta de incentivo, de apoio”. Chaim, entretanto, fez de sua von- tade imensa um trampolim para o cenário artístico da região. Não é à toa que deste grupo surgiu o Grupontapé de Teatro, que existe até hoje.

Sua primeira “criação” surgiu espontane- amente em 1998 e posteriormente foi ex- posta em uma cantina italiana. Trabalhando colagem e pintura com caixa de pizzas, o artista homenageou o cinema. Compulsivo que era, criou 50 painéis. A sua intenção era alertar sobre o melhor uso do nosso lixo e conversar sobre reaproveitamento em um momento em que pouco se tocava neste assunto. “Um dia em casa olhei para uma embalagem de pizza que estava sobre a mesa, limpa, branca, pensei em reaproveitar aquela superfície de papel e transformá-la em outra coisa”, relembra.

Fotografia: Rogério Cunha

Ao mesmo tempo que iniciava sua carreira artística, Charles trabalhava como diretor e editor em um programa de TV que durou mais de dez anos em Uberlân- dia. Foi nesta oportunidade, quando houve um espaço para entrevistas em um evento de moda, que Chaim pintou um retrato da estilista francesa Coco Chanel. Eram seus primeiros traços em uma tela, mas aquela era a sua decisão: queria produzir mais, havia gostado bastante.

Quando olhamos para sua galeria, nos deparamos com pinturas de Frida Kahlo, Mick Jagger, Brad Pitt, Kurt Kobain, David Bowie e outros ícones da cultura moderna. A sua identidade é marcada pelas cores saturadas, como um pop art revisitado. Não esperávamos diferente: uma de suas principais inspirações é o pintor e cineasta norte-americano Andy Warhol. Foi no Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York, que ele se apaixonou de fato pelo artista; foi neste caminho, na cultura de massa, que Chaim encontrou inspiração para expressar as suas com- posições. “Outros estilos me fascinam também e

(…) acho que o artista tem a liberdade de passear por outros universos se isso lhe for interessante. Eu sou inquieto e tenho vontade de experimentar para ter certeza sobre o que me deixa mais feliz”, completa.

Logo em 2004, seis anos após a cantina italiana, que Charles fez a sua primeira exposição individual de pinturas, com retratos de músicos, atores, direto- res e celebridades. Desde então, Chaim foi parar em cidades internacionais com a sua identidade artística. Na primeira oportunidade na França, Charles participou do Salão Nacional de Belas Artes, uma apresentação coletiva que ocorre no Carrousel Du Louvre e reúne artistas do mundo todo. Como lembra o artista, “quando dei por mim estava na Cidade Luz levando meu trabalho, foi incrível! A energia daquele lugar, a beleza, pessoas realmente interessadas em arte, uma experiência inesquecível”.

Atualmente, Charles mora em São Paulo (SP) e se dedica aos seus trabalhos. Ele nasceu no berço caipira do cerrado e andou o mundo com a sua arte.

Para conferir todo o seu trabalho, acesse: charleschaim.com.br

Edição 02