A CALMARIA DA MPB E A INTENSIDADE DO RAP

O território se abre, no palco do Baile Amor os instrumentos se casam, há uma sintonia única com o público. Podemos descrever esse momento como uma miscigenação cultural

Por Aline Alcântara
Equipe BRASA. Relações públicas do nosso impresso.

No palco, bandas que conversam entre si. Elas falam línguas e tocam sons diferentes, mas que comunicam pra lá de bem com o mesmo público. Toi e Dj Nene e Francisco El Hombre trocaram uma ideia bacana com o BRASA.

O Toi e o Dj Nene soltaram um Rap/Hip Hop com composições próprias bem da hora. A dupla, de Uberaba (MG), participou de uma seletiva de bandas para abrir o show do Criolo e foi escolhida por votação online. Os braços foram erguidos para curtirem suas rimas.

O mix de cores, movimentos e vozes no palco, simbolizava que Francisco El Hombre estava em ação. Para Mateo, vocalista e violinista da banda, a sensação de tocar no Baile do Amor, era como “pular numa piscina gelada e o público pular junto”. Eles tocam um estilo chamado pachanga folk e são de Campinas. Para eles, estar ao lado de Criolo é como sentir uma experiência de música original – a renovação da Música Popular Brasileira (MPB), uma verdadeira referência brasileira.

Logo após, o silêncio toma conta do backstage. Alguns cliques, porém tudo permanece calado. Isso é a concentração de Kleber Cavalcante, o Criolo, antes de dar seu show. A mudez dá lugar a um som profundo da cítara, instrumento folclórico usado pela banda. Ele, por fim, sobe ao palco, mãos no peito, gestos firmes, o público acompanha o som.

“Criolo movimenta-se: há dança, sincronia e euforia no palco. A galera canta seu nome, seus movimentos exprimem o som dos instrumentos”.

2mixx para Feito Brasa (55)

No palco, com vocês, Criolo. Existe amor no Udão. Fotografia: Flávio Rodrigues / 2mixx

A interrupção é feita para agradecer a presença, afinal eles são apenas a trilha sonora, o importante é que aquelas pessoas estão ali reunidas, juntas. Criolo movimenta-se: há dança, sincronia e euforia no palco. A galera canta seu nome, seus movimentos exprimem o som dos instrumentos. Ele pede para que as pessoas ali emanem energia positiva para alguém e que toda essa energia se concentre.

Ele reflete a calmaria da MPB e a intensividade do rap. Expressa a emoção, a felicidade de estar ali. A gratidão está o tempo todo presente. Em todo o show ele emite mensagens positivas para os que estão ali, diz que o corpo é nosso templo, e que devemos cuidar dele. Sempre sorrindo. A finalização fica por conta dele: “as pessoas não são más não, elas estão aqui perdidas na terra, mas ainda há tempo.”

Confira a cobertura fotográfica completa, feita por Flávio Rodrigues do 2mixx: