Jornal Brasa | AS PERFORMANCES, FOTOGRAFIAS E ESTUDOS DA ARTISTA LUANA MAGRELA
5278
post-template-default,single,single-post,postid-5278,single-format-standard,woocommerce-no-js,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,qode_grid_1300,footer_responsive_adv,qode-content-sidebar-responsive,columns-3,qode-theme-ver-10.1.1,wpb-js-composer js-comp-ver-5.0.1,vc_responsive

AS PERFORMANCES, FOTOGRAFIAS E ESTUDOS DA ARTISTA LUANA MAGRELA

Do lado de cá, em Araguari (MG), conhecemos Luana, coincidentemente chamada de Magrela. Enquanto Mag (capa do nosso impresso nº3) desenvolve principalmente murais, Luana Diniz constrói-se em performances e fotografias no cerrado mineiro (e em diferentes cantos do país). Nesta autorreportagem de mergulho biográfico, conhecemos o trabalho, a história e as inspirações da artista que mora em Uberlândia (MG) há 10 anos. Os títulos são nossos, a essência é de Magrela. 

01

Formação (ou A bela e transformadora arte da gestação)

As artes sempre estiveram presentes ao longo da minha vida. Eu cresci em meio a tecidos e revistas de moda, dentro do ateliê de costura da minha mãe. Aos nove anos de idade eu descobri o jazz, o balé e o sapateado. Foram seis anos de dança. Aos doze anos me integrei no grupo de teatro da minha escola. Vivenciei diferentes formas de estar presente no palco. Atuar e dançar foram os meios que me permitiram me conhecer melhor e a enfrentar o medo da timidez, que tanto me assombrava na adolescência. Hoje sou graduada em Artes Plásticas, e o que me levou à essa escolha foi o desejo de trabalhar com a criação.

Mercado (ou A arte pela criação; ou ainda Pensam que artista vive de oxigênio e fotossíntese)

Sendo artista, já não tenho dificuldades com a timidez, e sim com o mercado financeiro. Considero difícil sobreviver apenas de arte no Brasil, dedicando-se à pesquisa e criação artística sem estar vinculado ao meio acadêmico. As minhas pesquisas e expressões artísticas estão voltadas para questões humanas. Olhar o ser humano, os seus ambientes e suas manifestações. Sempre observando o outro para a compreensão de mim mesma. Não sigo padrões estéticos, nem temáticas populares ou publicitárias. Não considero fazer arte a minha profissão. Faço arte pelo exercício da criação, da minha intelectualidade e percepção.

02

Inspirações (ou A quieta e bela arte da observação)

A vida e o pensamento de alguns artistas me inspiram tão quanto as suas obras. Observo como eles traduzem seus pensamentos e sentimentos, a respeito do que reverberam do mundo e da humanidade. Enfatizamos noções e percepções do nosso sensível, questionando padrões que tendem a sistematizar os meios artísticos e as relações humanas. Nas obras estão presente experiências de vida, de maneira subjetiva e poética. São esses fragmentos de vida expostos a partir de diferentes linguagens, imagens e sons, que nos permitem viajar no tempo, nas possibilidades do existir. Esses movimentos amparam as minhas aspirações em busca de uma melhor compreensão sobre a natureza humana. É esta condição que me intriga.

Criação (ou Como ir além; ou até mesmo Desfecho)

No campo da performance, os artistas que se propõem a vivenciar situações incomuns, para além dos espaços artísticos, onde corpo e ação são os dispositivos expressivos, me inspiram a pensar em como estar presente no mundo. A partir do estudo de imagens, com pinturas e desenhos, perspectivas e enquadramentos, eu descobri as potencialidades da presença do objeto, o efeito da ação representada (ou apresentada). E destaco o jogo de luz e sombra da pintura barroca, que me trouxe o ápice de dramaticidade nas imagens. O contraste, o direcionamento do olhar dentro do quadro, enfatizam a forma, a composição. Entre o claro e escuro, me descobri.

03

A minha formação em artes me despertou um olhar mais analítico sobre a existência, na materialidade dos objetos e dos espaços. Nesse aspecto me proponho ao exercício do olhar e à percepção do estar: a situação e a intervenção no estado das coisas. Nessa constante atenção em olhar o mundo, percebi a fotografia como um meio de compartilhar as imagens que eu encontrava nos meus caminhos. Paisagens, minúcias, detalhes, formas e cores atraem o meu olhar. Nesse lugar eu descobri o encanto da luz. As minhas fotografias trazem inúmeras formas da captura da luz. E acabou se desdobrando também para criação em vídeo. Fotografias animadas, a textura das formas na imagem em movimento. E com isso o estudo em teorias do cinema me amparou a pensar as possíveis narrativas para a imagem da realidade. Ainda estou em movimento dentro desse campo…

Me atento a observar a transfiguração das coisas (da vida?), nossas eternas mutações, muitas vezes invisíveis, mas visivelmente simbólicas na composição das imagens fotográficas. Um objeto, um registro da realidade que aparenta outro aspecto visual (e mental). A ilusão das aparências foi uma inspiração: a abstração da imagem da realidade. A transmutação dos sentidos (dos símbolos). Isso me revela uma compreensão que há muito sentidos que transpõem as aparências. Observando isso construímos imaginários, vamos além, para além. A imagem é um despertar.

04

+ Perfil Artista: Luana - MAGR.