Jornal Brasa | MAG MAGRELA
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MAG MAGRELA

Magrela é natural de São Paulo (SP), mas a sua alma é das ruas, do mundo.

Mag Magrela aprendeu a pintar logo cedo, com o seu pai, na pura, bela e quieta arte da observação. O ritual que ele fazia ao mesclar pinceladas na tela e o porquê de fazer aquilo são memórias afetivas na mente da artista que se consome em poesia. É fácil reconhecer um mural de Mag nas ruas do mundo: eles retratam a diversidade do feminino, a linha tênue entre o profano e a sensibilidade de quem quer dizer muito. Mais do que embelezar a cidade em uma espécie de museu a céu aberto, as pinturas métricas de Magrela retratam aquilo que a artista não concorda — o embate de si com o estrangeiro de outrem.

Foi preciso um caminho longo para chegar até aqui. Mag fez faculdade de administração, mas não terminou. Procurou outros cursos para se encaixar no mundo, mas não encontrou. Às vezes a gente pensa que precisa de um lugar-comum para dizer que existe no mundo. Nessa série de abandonos e desencontros, Mag se encontrou mesmo foi na rua, no graffiti, na descoberta de sua própria cidade.

“A liberdade de fazer o que quiser, o contato com as pessoas de todas as classes sociais; estar em lugares das cidades só porque você está indo pintar; e a comunicação que se faz diretamente com as pessoas é muito apaixonante, isso é o que me impulsiona a pintar”, nos explica.

Não seria diferente: o seu olhar artístico é sempre em busca do outro, quase que em uma viagem antropofágica de experimentos. Para conseguir expressar o que realmente sentia, antes foi preciso descobrir quem realmente era. “Permeei por diversas figuras até encontrar a figura dessas mulheres. Hoje sei que faço são autorretratos, deixo meus eus por aí. Me sinto satisfeita desenhando essa figura e dentro desse universo conto histórias da minha família, minhas histórias pessoais, como da sociedade que vivo”, lembra.  As diversas mulheres que Magrela pinta representam isto, o leque de diversidade que ela construiu de si no diálogo com personagens de seu cotidiano.

Depois que se encaixou, em 2007, nas ruas de São Paulo, a artista autodidata viajou para Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Lisboa e Nova York – para onde retornou recentemente. Crescendo em sua intensa criatividade e intuição nas artes plásticas, Magrela somou-se, também, em telas, performances, esculturas, bordados, azulejos e o que sua veia multidisciplinar permitiu. Com tantas ideias, o seu caderno de esboços anda embaixo do braço como melhor amigo — e é bom que assim seja: a sua inspiração vem da batalha do dia a dia, da busca pelo ganha-pão,

“de toda essa vivência, de tudo que está ao meu redor, de tudo que me incomoda, de tudo que filtro”.

Acompanhe o trabalho de Mag em: fb.com/magrela.mag  + @magmagrela

Edição 03